Angiotomografia Coronária em Pacientes com Dor Torácica – Estamos Superestimando as Lesões?

Marcelo L. Montemor

Alexandre de Matos Soeiro

Tatiana de Carvalho Andreucci Torres Leal

Leonardo Jorge Cordeiro de Paula

Múcio Tavares de Oliveira Jr.

Estudo publicado recentemente, observacional e prospectivo teve o intuito de esclarecer essa questão incluindo 1700 pacientes. O trabalho incluiu pacientes de baixo/moderado risco de doença coronariana e realizou (à critério do médico assistente) angiotomografia coronária ou teste ergométrico (cintilografia caso houvesse contra-indicação) em até 72 horas após realização e protocolo de dor torácica negativo. O objetivo era saber o número de cateterismos realizados em até 30 dias em ambos os grupos e também a necessidade de exames adicionais para completo diagnóstico. Angiotomografia com lesões maiores que 70% ou teste ergométrico de alta carga isquêmica eram encaminhados ao cateterismo, enquanto exames com resultados inconclusivos eram submetidos à realização de outro método complementar para esclarecimento diagnóstico.

Não houve diferença estatística significativa entre os grupos angiotomografia e teste ergométrico em relação ao número de cateterismos realizados nos primeiros 30 dias (2,3% x 1,6%). Pacientes do grupo angiotomografia realizaram apenas 1/4 de exames subsequentes quando comparados ao grupo teste ergométrico (5,8% x 25,2%), destacando-se a maior acurácia diagnóstica associada à tomografia. Por incrível que pareça o nível de exposição média à radiação foi inferior no grupo angiotomografia.

Lembramos que os critérios de inclusão não incluíram pacientes idosos, com doença arterial coronária conhecida, eletrocardiograma alterado e elevação de biomarcadores. Apesar do perfil dos grupos ser semelhante, a decisão da escolha na solicitação dos exames, foi baseada em decisão subjetiva, podendo interferir no resultado final. Além disso, o critério usado para indicação de cateterismo após realização de angiotomografia foi lesão > 70%, diferente de todo o restante da literatura que indica com lesão > 50%. Isso torna o método com maior acurácia, mas pode deixar passar pacientes com lesões obstrutivas graves subestimadas.

Referência: Grunau B, et al. Am J Cardiol 2016;118:155e161.

 

 

Alexandre de Matos Soeiro

• Médico Assistente e Supervisor da Unidade Clínica de Emergência - InCor (HCFMUSP). • Coordenador do Curso Nacional em Emergências Cardiológicas • Médico Assistente Homenageado pelas Turmas de 2012 a 2014, 2013 a 2015, 2014 a 2016, 2015 a 2017 e 2016 a 2018 de Residentes/Estagiários do InCor-HCFMUSP. • Vencedor do Prêmio Jovem Investigador - Josef Feher do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo em 2015 • Coordenador da Liga de Emergências Cardiovasculares do InCor - HCFMUSP. • Professor Convidado de Graduação do Terceiro, Quarto e Sexto Anos da FMUSP. • Preceptor homenageado pela Turma 94 de graduação da FMUSP • Médico Preceptor em Cardiologia - InCor - HCFMUSP - 2011. • Especialista em Medicina de Emergência pela ABRAMEDE. • Especialista em Cardiologia pela SBC. • Residência Médica em Cardiologia - InCor - HCFMUSP. • Especialista em Clínica Médica pela SBCM. • Residência em Clínica Médica - HCFMUSP. • Graduação em Medicina pela FMUSP. • Instrutor Ativo de Cursos de ACLS - LTSEC - InCor - HCFMUSP. • Instrutor Ativo de Cursos SAVICO (Suporte Avançado de Vida em Insuficiência Coronária) e SAVIC

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